Acabei de voltar dos Estados Unidos. Toda vez que volto daquele país fico com boas e más impressões na cabeça. Gosto de como eles lidam com o dinheiro nas pequenas transações comerciais do dia-a-dia.
Não interessa a bocada em que você se meter a comprar algum badulaque. Eles sempre vão te devolver o troco do US$ 0,99 que você pagou.
Passei no Starbucks e o atendente se desculpou por não ter US$ 0,01 para devolver. Como sua moeda mais baixa era de US$ 0,05, disse que eu poderia ficar com o troco a mais ou voltar mais tarde para pegar o que faltava.
Acabei dizendo que não importava. E que deixasse do jeito que estava.
No dia seguinte, já no Brasil, fui à farmácia e a conta fechou em R$ 29,98. Dei R$ 50 e, o que você acha? Claro que só me voltaram R$ 20.
O.K., o assunto não é novo, há comunidades no Orkut clamando “Quero meu 1 centavo”, “Eu peço 1 centavo de troco” ou equivalentes.
Mas é que isso realmente me irrita. Não a falta de troco. Mas o hábito de as pessoas não se preocuparem com isso. E nem com a atenção dos lojistas em perguntar se o cliente se importa em ficar sem R$ 0,02.
DE 1 EM 1 – Antes do Natal, lá na rua 25 de Março, passei em uma loja de brinquedos e a atendente fez vista grossa para R$ 0,05. Caso você não lembre, existe a moeda com esse valor.
Na fila, estava observando o movimento e reparei que a moça do caixa perguntou aos quatro clientes à minha frente: “Posso ficar devendo XX centavos?”
E quando chegou minha vez, claro, a mesma pergunta. Quando respondi um seco “não”, ela me olhou com espanto e ainda achou ruim.
- Eu não tenho troco no caixa.
- E eu só esses R$ 50. (a conta era de R$ 49,95)
- Bom, mas e agora?
- Você tem dez centavos no caixa?
- Tenho sim. Você tem R$ 0,95?
- Não, não tenho. Então me dê esses R$ 0,10 de troco.
- Ah, moço, mas não posso. É muita coisa e vai “desfalcar” meu caixa.
- Querida, você desfalcou o bolso dos quatro caras que estavam aqui antes de mim. Por que eu também preciso pagar a mais? A loja é que está me devendo e você deve ter algum crédito do troco que não deu.
- É que sai do meu bolso.
- Então reclama com seu patrão. Eu quero meu troco.
Resmungando, sem olhar para mim, deu os dez centavos e esqueceu o “Obrigado e volte sempre” do roteiro.
O hábito de não valorizar o dinheiro é dos consumidores, não dos lojistas. Ficamos acostumados à inflação e a não carregar moedas. Mas, pô, o real entrou em circulação em 1994. Faz 15 anos que convivemos com o dinheiro de metal. Será que ainda não deu para entender que mesmo os centavos valem uma boa grana?